Chanuká: Parte 1

INTRODUÇÃO

Apesar de não constar do rol de celebrações da Torá, Chanuká é uma importante festa do povo de Yisra’el, porquanto comemora a vitória do Judaísmo sobre o paganismo helênico, tipificando profeticamente a luta da verdadeira religião, o Judaísmo, contra todos os falsos sistemas religiosos. 

Acresce registrar que existem muitas profecias bíblicas sobre o fim dos tempos relacionadas aos fatos históricos de Chanuká, razão pela qual a compreensão desta festa é a chave-mestra para se abrir o entendimento sobre os últimos dias.

Neste estudo, inicialmente iremos expor sobre a festa de Chanuká e, depois, serão analisadas relevantes profecias sobre o futuro da humanidade, almejando-se responder a perguntas do tipo: Quais são as características do Antimessias (“Anticristo”)? Como reconhecer o Antimessias? O que acontecerá com os servos de YHWH? O que é a abominação desoladora mencionada por Yeshua? Como será a Grande Tribulação?

É impressionante que o Cristianismo traça muitas especulações sobre estes assuntos, porém, as Escrituras são esclarecedoras e, ainda que não saibamos exatamente como será o futuro, descrevem detalhes que nos permitem vislumbrar os dias vindouros.

SOBRE A FESTA DE CHANUKÁ

No cânon da Septuaginta, o livro de Dani’el localizava-se dentre os Profetas, sendo posteriormente deslocado, topograficamente, para a seção dos Escritos. De todo modo, é indiscutível que Dani’el contém inúmeras profecias sobre o final dos tempos, uma vez que recebeu diversas revelações celestiais e, por tal motivo, é reputado como um livro apocalíptico.

Eis uma importante visão de Dani’el:

E vi na visão; e sucedeu que, quando vi, eu estava na cidadela de Shushan [Susã], na província de Eilam [Elão]; vi, pois, na visão, que eu estava junto ao rio Ulai.

E levantei os meus olhos, e vi, e eis que um carneiro estava diante do rio, o qual tinha dois chifres; e os dois chifres eram altos, mas um era mais alto do que o outro; e o mais alto subiu por último.

Vi que o carneiro dava marradas para o ocidente, e para o norte e para o sul; e nenhum dos animais lhe podia resistir; nem havia quem pudesse livrar-se da sua mão; e ele fazia conforme a sua vontade, e se engrandecia.

E, estando eu considerando, eis que um bode vinha do ocidente sobre toda a terra, mas sem tocar no chão; e aquele bode tinha um chifre insigne entre os olhos.

E dirigiu-se ao carneiro que tinha os dois chifres, ao qual eu tinha visto em pé diante do rio, e correu contra ele no ímpeto da sua força.

E vi-o chegar perto do carneiro, enfurecido contra ele, e ferindo-o quebrou-lhe os dois chifres, pois não havia força no carneiro para lhe resistir, e o bode o lançou por terra, e o pisou aos pés; não houve quem pudesse livrar o carneiro da sua mão.

E o bode se engrandeceu sobremaneira; mas, estando na sua maior força, aquele grande chifre foi quebrado; e no seu lugar subiram outros quatro também insignes, para os quatro ventos do céu.

E de um deles saiu um chifre muito pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa [= Yisra’el].

E se engrandeceu até contra o exército do céu; e a alguns do exército, e das estrelas, lançou por terra, e os pisou.

E se engrandeceu até contra o príncipe do exército; e por ele foi tirado o sacrifício contínuo, e o lugar do seu santuário [= Templo] foi lançado por terra.

E um exército foi dado contra o sacrifício contínuo, por causa da transgressão [= pecado]; e lançou a verdade por terra, e o fez, e prosperou” (Dani’el/Daniel 8:2-12).

Então, apareceu o anjo Gavri’el (Gabriel) a Dani’el e lhe explicou o significado da visão:

“Aquele carneiro que viste com dois chifres são os reis da Média e da Pérsia,

Mas o bode peludo é o rei da Grécia; e o grande chifre que tinha entre os olhos é o primeiro rei;

O ter sido quebrado, levantando-se quatro em lugar dele, significa que quatro reinos se levantarão da mesma nação, mas não com a força dele.

Mas, no fim do seu reinado, quando acabarem os prevaricadores, se levantará um rei, feroz de semblante, e será entendido em adivinhações.

E se fortalecerá o seu poder, mas não pela sua própria força; e destruirá maravilhosamente, e prosperará, e fará o que lhe aprouver; e destruirá os poderosos e o povo santo [= povo de Yisra’el].

E pelo seu entendimento também fará prosperar o engano na sua mão; e no seu coração se engrandecerá, e destruirá a muitos que vivem em segurança; e se levantará contra o Príncipe dos príncipes, mas sem mão será quebrado” (Dani’el/Daniel 8:20-25).

Como se cumpriu a profecia citada?

O império medo-persa (“o carneiro”) foi derrotado pelos gregos (“o bode”). Assim, o Rei da Grécia (“bode peludo”) foi Alexandre, o Grande, que em poucos anos expandiu um poderoso império (336 a 323 A.C). Após sua morte, o império grego foi dividido em quatro (“quatro chifres”). Um destes quatro (“o chifre pequeno”) ficou sob o domínio de Antíoco Epifânio, que veio da Síria para perseguir o povo de Yisra’el e profanar o Beit HaMikdash (Templo), entre 171 a 164 A.C.

Narra o livro de Macabim Álef (1º Macabeus) que, após a morte de Alexandre, o Grande, surgiu um rebento ímpio, Antíoco Epifânio. Vale esclarecer que seu nome era Antíoco, porém, este adotou o título de “Epiphanés” (Epifânio), que significa “aquele que se manifesta com esplendor”, uma vez que Antíoco se considerava como uma manifestação terrena de Zeus.

Em 167 A.C., o idólatra rei da Síria Antíoco Epifânio conquistou Yerushalayim (Jerusalém) e adotou severas medidas para promover a helenização em Yisra’el, determinando a destruição das Escrituras Sagradas e proibindo a observância da Torá, a guarda do shabat (sábado), o culto a YHWH, a circuncisão e o cumprimento das leis alimentares, ou seja, impediu que os israelitas observassem os mandamentos instituídos por Elohim. Para aviltar a religião judaica e promover a idolatria, Antíoco roubou os utensílios sagrados do Beit Hamikdash (Templo) em Yerushalayim (Jerusalém) e lá instalou uma estátua do deus grego Zeus. Ordenou ainda que os judeus renunciassem a fé em YHWH e passassem a adorar ídolos.

Eis o relato do historiador Flávio Josefo:

“… ele [Antíoco Epifânio] voltou a Jerusalém e não poupou nem mesmo os que o acolheram na esperança de que ele não faria nenhum ato de hostilidade. Sua insaciável avareza fez com que ele não temesse violar-lhes também a fé, despojando o Templo das muitas riquezas de que, sabia ele, estava cheio. Tomou os vasos consagrados a Elohim, os candelabros de ouro, a mesa sobre a qual se punham os pães da proposição e os turíbulos. Levou até mesmo as tapeçarias de escarlate e de linho fino e pilhou tesouros que estavam escondidos havia muito tempo. Afinal, nada deixou lá. E, para cúmulo da maldade, proibiu aos judeus oferecer a Elohim os sacrifícios ordinários, como a sua lei [Torá] os obrigava.

Depois de saquear toda a cidade, mandou matar uma parte dos habitantes e levou dez mil escravos com suas mulheres e filhos. Mandou queimar os mais belos edifícios, destruiu as muralhas e construiu, na Cidade Baixa, uma fortaleza com grandes torres, as quais dominavam o Templo, e lá colocou uma guarnição de macedônios, entre os quais estavam vários judeus, tão maus e ímpios que não havia males que não infligissem aos habitantes. Mandou também construir um altar [idólatra] no Templo e ordenou que lá se sacrificassem porcos, o que é uma das coisas mais contrárias à nossa religião. Obrigou então os judeus a renunciar o culto ao verdadeiro Elohim e a adorar os seus ídolos, e ordenou que se construíssem templos para eles em todas as cidades, determinando que não se passasse um dia sem que lá se imolassem porcos. Proibiu também aos judeus, sob graves penas, circuncidar os filhos, e nomeou fiscais para saber se eles estavam observando as suas determinações e as leis que ele impunha e obrigá-los a isso, caso recusassem obedecer.” (História dos Hebreus, CPAD, 8ª edição, 2004, páginas 545 e 546. Obs: substituímos o nome “Deus” por Elohim, objetivando sermos mais fiéis aos escritos de Josefo).

Também é narrada a impiedade de Antíoco Epifânio no livro de Macabim (Macabeus):

“Então o rei Antíoco publicou para todo o reino um edito, prescrevendo que todos os povos formassem um único povo e que abandonassem suas leis particulares. Todos os gentios se conformaram com essa ordem do rei, e muitos de Yisra’el adotaram a sua religião, sacrificando aos ídolos e violando o shabat [sábado].

Por intermédio de mensageiros, o rei enviou à Yerushalayim [Jerusalém] e às cidades de Yehudá [Judá] cartas prescrevendo que aceitassem os costumes dos outros povos da terra, suspendessem os holocaustos, os sacrifícios e as libações no Beit Hamikdash [Templo], violassem os shabatot [sábados] e as festas, profanassem o santuário e tudo que é santo, erigissem altares, templos e ídolos, sacrificassem porcos e animais imundos, deixassem seus filhos incircuncidados e maculassem suas almas com toda sorte de impurezas e abominações, de maneira a obrigarem-nos a esquecer a Torá e a transgredir seus mandamentos.

Todo aquele que não obedecesse à ordem do rei seria morto”. (Macabim Álef/I Macabeus 1:41-50).

Dani’el havia profetizado acerca da “abominação da desolação” (Dn 9:27; 11:31 e 12:11), e o livro de Macabeus explica claramente o que isto significa, que se cumpriu com Antíoco:

“… o rei [Antíoco] fez construir, sobre o altar dos holocaustos, a abominação da desolação. Também nas outras cidades de Yehudá [Judá] erigiram-se altares [idólatras].

E às portas das casas e nas praças queimava-se incenso [aos deuses].

Quanto aos livros da Torá, os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo” (Macabim Álef/1º Macabeus 1:54 a 56).

A abominação da desolação foi um altar de Zeus que foi colocado no Templo em Yerushalayim (Jerusalém):

“Depois de não muito tempo, o rei enviou um ancião, um ateniense, com a missão de forçar os judeus a abandonarem as leis de seus pais e a não se governarem mais segundo as leis de Elohim.  

Mandou-o, além disso, profanar o Santuário de Yerushalayim [Jerusalém], dedicando-o a Zeus Olímpico, e o do monte G’rizim, como o pediam os habitantes do lugar, a Zeus Hospitaleiro.  

A progressão dessa maldade tornou-se, mesmo para o conjunto da população, dura e difícil de suportar.  

De fato, o Templo ficou repleto da dissolução e das orgias cometidas pelos gentios que aí se divertiam com as meretrizes e que nos átrios sagrados se aproximavam das mulheres, introduzindo ainda no seu interior coisas que não eram lícitas.  

O próprio altar estava repleto de oferendas proibidas, reprovadas pelas leis.  

E não se podia celebrar o shabat [sábado], nem guardar as festas dos antepassados, nem simplesmente confessar que se era judeu” (Macabim Beit/2º Macabeus 6:1-6).

Muitos judeus passaram a seguir a religião idólatra de Antíoco, e a apostasia instalou-se em Yisra’el:

“Por esses dias apareceu em Yisra’el uma geração de perversos, que seduziram a muitos com estas palavras: ‘Vamos, façamos aliança com as nações circunvizinhas, pois muitos males caíram sobre nós desde que delas nos separamos’. 

Agradou-lhes tal modo de falar.  

E alguns dentre o povo apressaram-se em ir ter com o rei, o qual lhes deu autorização para observarem os preceitos pagãos.

Construíram, então, em Yerushalayim [Jerusalém], uma praça de esportes, segundo os costumes das nações,  restabeleceram seus prepúcios e renegaram a aliança sagrada [Torá]. Assim associaram-se aos pagãos e se venderam para fazer o mal.” (Macabim Álef/1º Macabeus 1:11-15).  

Eis um resumo do cenário daquele tempo em relação à grande parte dos judeus:

a) adotaram outros deuses;

b) praticavam costumes pagãos;

c) celebravam as festas dos deuses estrangeiros;

d) não guardavam os mandamentos da Torá;

e) profanavam o shabat;

f) não circuncidavam seus filhos;

g) comiam animais impuros;

h) praticavam imoralidade sexual;

i) perpetravam diversas condutas contrárias à Torá.

Porém, muitos permaneceram firmes na Torá de YHWH, e foram martirizados. Citam-se, a título exemplificativo, episódios dramáticos em que duas mulheres, por haverem circuncidado seus filhos, foram arremessadas com os recém-nascidos do alto das altas muralhas da cidade; outros foram lançados às chamas; o idoso escriba El’azar, com noventa anos, foi executado por recusar-se a comer carne de porco; também por se negarem a comer carne de porco, o que seria transgressão à Torá, sete irmãos foram executados, um a um, na presença de sua mãe, assados vivos no forno, mas antes passaram por terríveis torturas: línguas cortadas, couro cabeludo arrancado, extremidades decepadas; após o martírio dos sete irmãos, a mãe dos mesmos também foi assassinada (Macabim Bet/2º Livro de Macabeus 6:10 e 7:1-42). 

Mesmo suportando flagelos crudelíssimos, o amor a YHWH falava mais alto na vida destes hebreus, o que é ilustrado com o seguinte discurso de um dos sete irmãos diante de seus carrascos:

“Eu não obedeço ao mandamento do rei! Ao mandamento da Torá, porém, que foi dada aos nossos pais por meio de Moshé (Moisés), a esse eu obedeço” (Macabim Bet/2º Livro de Macabeus 7:30).

Todo este cenário de perseguição aos israelitas terminou gerando uma guerra santa, conhecida como “a Revolta dos Macabeus”.

A faísca foi lançada no meio da pólvora quando o sacerdote Matityahu [Matatias] revidou às investidas idólatras:

“Os emissários do rei Antíoco, encarregados de forçar à apostasia, vieram à cidade de Moedin para procederem aos sacrifícios e alterarem a Torá de YHWH.  

Muitos israelitas aderiram a eles, mas Matityahu [Matatias] e seus filhos conservaram-se reunidos à parte.  

Tomando então a palavra, os emissários do rei disseram a Matityahu [Matatias]: Tu és um chefe ilustre e de prestígio nesta cidade, apoiado por filhos e parentes.  

Aproxima-te, pois, por primeiro, para cumprir a ordem do rei, como o fizeram todas as nações bem como os homens de Yehudá [Judá] e os que foram deixados em Yerushalayim [Jerusalém]. Assim, tu e teus filhos sereis contados entre os amigos do rei e sereis honrados, tu e teus filhos, com prata e ouro e copiosos presentes.  

A essas palavras retrucou Matityahu [Matatias] em alta voz: Ainda que todas as nações que se encontram na esfera do domínio do rei lhe obedeçam, abandonando cada uma o culto dos seus antepassados e conformando-se às ordens reais, eu, meus filhos e meus irmãos continuaremos a seguir a Torá dos nossos pais, pois a expiação para YHWH é nossa. 

Nós não iremos abandonar a Torá e os juízos de YHWH.  

Não daremos ouvido às palavras do rei e também a seu sacrifício [pagão] para transgredir aos mandamentos da nossa Torá e ir para outro caminho. 

Mal terminou ele de proferir essas palavras, um judeu apresentou-se, à vista de todos, para sacrificar sobre o altar de Moedin, segundo o decreto do rei.  

Ao ver isso, Matityahu [Matatias] inflamou-se de zelo e seus rins estremeceram. Tomado de justa ira, ele arremessou-se contra o apóstata e o trucidou sobre o altar.  

No mesmo instante matou o emissário do rei, que forçava a sacrificar, e derribou o altar.  

Ele agia por zelo pela Torá, do mesmo modo como havia procedido Pinchas [Fineias] para com Zimri [Zambri], filho de Salu.  

A seguir clamou Matityahu [Matatias] em alta voz através da cidade: Todo o que tiver o zelo da Torá e quiser manter firme a Aliança, saia após mim!  

Então fugiu, ele e seus filhos, para as montanhas, deixando tudo o que possuíam na cidade” (Macabim Álef/1º Livro de Macabeus 2:15-28).

Diante deste episódio, muitos judeus zelosos fugiram da apostasia em Yerushalayim (Jerusalém) e foram para o deserto. Em um dia de shabat, os soldados do rei Antíoco cercaram os hebreus, determinando que saíssem de seus esconderijos nas cavernas. Contudo, os zelosos afirmaram que não iriam sair do local e profanar o shabat. Então, os israelitas não revidaram ao ataque e nem esboçaram nenhuma reação ao ataque dos pagãos, perecendo naquele dia mil hebreus, dentre homens, mulheres crianças (Macabim Álef/1º Livro de Macabeus 2:29-38).

Então, Matityahu (Matatias) e seus companheiros choraram amargamente pelo extermínio dos citados inocentes, e pensaram que, caso não revidassem aos ataques, ainda que em dia de shabat, ocorreria o extermínio total dos israelitas. Daí, tomaram a decisão de formar um exército, juntamente com os chassidim (piedosos), que eram homens devotados à Torá, e iniciaram a luta contra os pagãos, valendo-se da técnica de guerrilha, visto que estavam em menor número e não eram soldados profissionais.

Relata o 1º Livro de Macabeus:

“Assim organizaram um exército e bateram os ímpios em sua ira e os homens iníquos em sua ira. Os restantes fugiram, buscando a salvação entre os gentios.  

Matityahu [Matatias] e seus companheiros fizeram incursões pelo país, a fim de destruírem os altares.  

E circuncidarem à força todos os meninos incircuncisos que encontrassem pelo território de Yisra’el.  

Deram caça aos filhos da soberba, e seu empreendimento prosperou em suas mãos.  

Conseguiram recuperar a Torá das mãos dos gentios, e não permitiram que o pecador triunfasse” (Macabim Álef/1º Livro de Macabeus 2:44-48).

Quando estava prestes a morrer, Matityahu [Matatias] transferiu a liderança a seu filho Yehudá HaMacabi (Judas Macabeu). Yehudá e seus companheiros continuaram a guerrilha contra os idólatras e tiveram sucesso na empreitada. Faltava-lhes reconquistar Yerushalayim (Jerusalém), purificando o Beit Hamikdash (Templo) de YHWH, que estava sendo utilizado para o oferecimento de sacrifícios pagãos, além de contar com a mencionada abominação da desolação – a grande estátua de Zeus.

Narram as Escrituras a reconquista, a purificação e a consagração do Templo:

“Então Yehudá [Judas] e seus irmãos disseram: Nossos inimigos estão destroçados. Subamos agora para purificarmos o lugar santo e para celebrarmos a sua dedicação. 

Todo o exército se reuniu e subiram ao monte Tsion [Sião]. 

Contemplaram o Santuário desolado, o altar profanado, as portas incendiadas, os arbustos crescendo nos átrios como se num bosque ou sobre uma das montanhas, e os aposentos destruídos.  

E, rasgando as vestes, fizeram grande lamentação. Cobriram-se de cinza,  

caíram com a face por terra e, tocando shofarot [trombetas] para dar os sinais, elevaram clamores ao Elohim dos céus.  

Entrementes, Yehudá [Judas] ordenou a alguns homens que ficassem atacando os que estavam na Cidadela, até que ele completasse a purificação do Santuário.  

 A seguir escolheu sacerdotes sem mácula, observantes da Torá,  

os quais purificaram o lugar santo e removeram para lugar impuro as pedras da contaminação.  

Deliberaram também sobre o que deviam fazer do altar dos holocaustos que havia sido profanado,  

e ocorreu-lhes a boa inspiração de o demolirem, a fim de que não se tornasse para eles motivo de desonra o fato de os gentios o terem contaminado. Demoliram-no, pois,   

e puseram as pedras no monte, em lugar conveniente, à espera de que viesse algum profeta e se pronunciasse a esse respeito.  

Tomaram então pedras intactas, segundo a prescrição da Torá, e construíram um altar novo sobre o modelo do precedente. 

Restauraram o lugar santo e o interior do Templo e santificaram os átrios. 

Fabricaram novos utensílios sagrados e levaram para dentro do Templo a menorá, o altar do incenso e a mesa.  Queimaram incenso sobre o altar.

E eles acenderam a menorá, chamando-lhe a lâmpada de CHANUKÁ [= dedicação/consagração], pois era a nossa luz de YHWH, e para iluminar o Templo.

Puseram, ainda, os pães sobre a mesa, suspenderam as cortinas e chegaram, assim, ao termo de todos os trabalhos empreendidos. 

 No dia vinte e cinco do nono mês — chamado Kislev — do ano cento e quarenta e oito, eles se levantaram de manhã cedo 

e ofereceram um sacrifício, segundo as prescrições da Torá, sobre o novo altar dos holocaustos que haviam construído. 

Exatamente no mês e no dia em que os gentios o tinham profanado, foi o altar novamente consagrado com cânticos e ao som de cítaras, harpas e címbalos.  

O povo inteiro se prostrou com a face por terra para adorar, elevando louvores a YHWH nos céus que os tinha tão bem conduzido até ali.  

Celebraram a consagração por oito dias, oferecendo holocaustos com alegria e imolando também o sacrifício de salvação e de louvor. 

Enfeitaram a fachada do Templo com ornamentos e coroas de ouro, consagrando os portais, bem como os aposentos, nos quais colocaram portas.  

Reinou, pois, extraordinária alegria entre o povo e assim foi cancelado o opróbrio infligido pelos gentios.  

E Yehudá [Judas], com seus irmãos e toda a assembleia de Yisra’el, estabeleceu que os dias da dedicação do altar seriam celebrados a seu tempo, cada ano, durante oito dias, a partir do dia vinte e cinco do mês de Kislev, com júbilo e alegria” (Macabim Álef/1º Livro de Macabeus 4:36-59).

No texto supra citado, verifica-se a origem da festa de Chanuká, conhecida também como “Festa das Luzes” ou “Festa da Dedicação”, em que há a celebração da reconsagração do Templo, que outrora estava sendo usado por gentios em cultos idólatras.  Comemora-se a festa de Chanuká tal como Sukot, ou seja, durante oito dias (2º Macabeus 1:18 e 10:6). 

Chanuká” (חנוכה) deriva da raiz hebraica חנך, que significa “dedicar”. Daí, Chanuká festeja a reconquista de Yerushalayim (Jerusalém) e a rededicação do Templo. 

Outra explicação para o nome deriva da divisão do vocábulo “Chanuká” (חנוכה) em  חנו כ”ה, que denota: “[eles] descansaram [em] vinte e cinco”, referindo-se ao fato de a vitória de Yisra’el ter ocorrido no dia vinte e cinco de Kislev, que é justamente o dia em que se inicia a festa.

De todo modo, a festa rememora a vitória de Yisra’el sobre Antíoco, possibilitando que os judeus pudessem novamente guardar os mandamentos da Aliança, celebrando os shabatot (sábados), circuncidando seus filhos, participando dos moedim (festas bíblicas), seguindo a alimentação kasher e cumprindo todos os demais preceitos, enfim, obedecendo à vontade de YHWH consignada na Torá.

Consoante toda a exposição já traçada, conclui-se que Chanuká é de assaz relevância, porquanto marca a vitória da verdade sobre a mentira, da Torá sobre a apostasia, do Judaísmo sobre o paganismo, de Yisra’el sobre os idólatras. 

Valioso afiançar que Chanuká é conhecida como “a festa das luzes”, e a luz é o símbolo da Torá:

“E eles acenderam a menorá, chamando-lhe a lâmpada de CHANUKÁ [= dedicação/consagração], pois era a nossa luz de YHWH, e para iluminar o Templo” (1º Livro de Macabeus 4:50).

Pois a mitsvá [mandamento] é lâmpada, a Torá é luz” (Mishlei/Provérbios 6:23).

Tua palavra [ = Torá] é uma lâmpada para meus pés

e uma luz em meu caminho” (Tehilim/Salmos 119:105).

“Respondam: ‘À Torá e aos mandamentos!’ Se eles não falarem conforme esta palavra, jamais verão a luz” (Yeshayahu/Isaías 8:20).

“Pois a Torá procederá de mim;

eu os acalmarei com minha justiça

como uma luz para os povos” (Yeshayahu/Isaías 51:4).

Outro quesito importante em Chanuká refere-se ao fato de que, durante a purificação do Templo, a menorá foi reacesa com azeite puro de oliva, descoberto no interior do Santuário. Todavia, a quantidade de azeite era suficiente para apenas um dia, porém, de forma miraculosa, o azeite foi suficiente para manter acesa a menorá durante os oito dias da festa, tempo suficiente para que fosse produzido novo óleo puro.

Apesar de os livros de Macabim (Macabeus) não narrarem acerca do milagre da multiplicação do azeite, este evento sobrenatural consta do Talmud:

“Qual é a razão para Chanuká? Nossos rabinos ensinaram: No dia 25 de Kislev começam os dias de Chanuká, que duram oito dias, durante os quais a lamentação pelos mortos e o jejum são proibidos. Pois, quando os gregos entraram no Templo, eles contaminaram todos os óleos, e quando a dinastia dos Chashmonayim (Hasmoneus) prevaleceu contra eles e os derrotou, eles [os macabeus] procuraram e encontraram apenas uma botija de azeite que possuía o selo do Kohen HaGadol [Sumo Sacerdote], mas que continha óleo suficiente para a iluminação por apenas um dia. Também lá ocorreu um milagre e eles iluminaram a lâmpada por oito dias. No dia seguinte estes dias foram apontados como uma festa para a recitação do Halel e ação de graças” (m. Shabat 21b).

Também há a narrativa do evento em um Manuscrito conhecido como “Megilat Antiochus”, datado de 200 D.C:

“Os Hasmoneus entraram no Santuário, reconstruíram seus portões, fecharam suas brechas, e purificaram o Templo dos assassinatos e impurezas. Eles olharam para o azeite puro para acender a menorá, e encontraram apenas uma botija com o selo do Kohen HaGadol, que lhes indicou a certeza da pureza. Apesar de sua quantidade parecer suficiente para a iluminação durante apenas um dia, durou por oito dias, devido à benção do Elohim dos céus que havia estabelecido o seu Nome. Assim, os Hasmoneus e todos os judeus instituíram estes oito dias como tempo de festa e alegria, como qualquer festa prescrita na Torá, e acendiam luzes para comemorar as vitórias que Elohim lhes dera”.

A mais famosa tradição de Chanuká é o acendimento das velas. Usa-se uma Menorá especial chamada de Chanukiá, que tem nove pontas: existe uma vela central em destaque, que é chamada de “shamash” (servo), e ao lado desta há quatro pontas na direita e quatro na esquerda. Na primeira noite, acende-se uma vela na ponta da direita por meio do shamash. Na segunda noite, duas velas do lado da direita são acesas, começando pela vela mais nova, ou seja, a que não tinha sido acessa. A cada noite há o acendimento de mais uma vela, sempre da direita para a esquerda, iniciando-se com a vela mais nova. Na oitava noite, a última vela da festa será acesa em primeiro lugar, de modo que a última será a primeira e a primeira será a última. Então, ficam acesas todas as velas. Cada acendimento diário das velas se destina à lembrança da duração milagrosa do óleo.

Não há dúvidas de que Yeshua participava da festa de Chanuká, conforme a narrativa de Yochanan (João) 10 (Peshitta):

22 E houve a festa da Chanuká em Yerushalayim, e era inverno. 

23 E estava andando Yeshua no Templo, no alpendre de Sh’lomó.

24 E se reuniram em torno dele os  [moradores] de Yehudá, e diziam-lhe: Até quando nos manterá  [em suspense]? Se você é o Mashiach, diga-nos abertamente.

25 Respondeu Yeshua e disse-lhes: Disse-lhes e vocês não creram. E as obras que eu faço em nome de meu Pai testemunham sobre mim.

26 Mas vocês não creem, porque não são minhas ovelhas, como lhes disse.

27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz e eu as conheço, e elas vão atrás de mim.

28 E lhes dou a vida eterna, e não perecerão para sempre, e nenhum homem irá arrancá-las de minhas mãos.

29 Porque meu Pai, que  [as] deu para mim, é maior do que todos, e nenhum homem pode arrancá- [las] da mão de meu Pai.

30 Eu e meu Pai somos um. 

Expuseram-se os principais aspectos da festa de Chanuká, bem como sua relevância na vida de Yeshua, que fez questão de dela participar. Na segunda parte do estudo, serão analisadas profecias do livro de Dani’el, bem como profecias de Yeshua, que estabelecem uma ponte de contato entre os eventos históricos de Chanuká e o fim dos tempos!

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