Menuchat HaNefesh: Parte 4

Midá da semana:

Hebraico: מְנוּחַת הַנֶפֶש (Menuchat HaNefesh) = Tranquilidade, calma, autocontrole.

O nome da midá “Menuchat HaNefesh” significa, literalmente, “descanso da alma”, e indica justamente o estado de tranquilidade, calma e autocontrole.

Temos que praticar o descanso na alma sempre, até nas coisas pequenas, para estarmos preparados para os grande desafios que muitas vezes nos esperam.

O “descanso da alma” é um dos atributos mais difíceis de desenvolvermos dentro de nós, visto que, quando a alma está abalada, os sentimentos de tristeza, desânimo, inquietação, angústia e ansiedade, dentre outros, são tão fortes que a pessoa não conseguirá controlá-los.

Há momentos na vida em que os sentimentos negativos podem terminar dominando a pessoa, deixando-a paralisada. Quando isto acontece, não adianta falar para a pessoa orar, ler as Escrituras e cantar ao ETERNO, pois simplesmente quem está abatido perdeu todas as forças. É como se estivesse em estado vegetativo, sem forças para reagir e levantar-se.

Porém, precisamos tomar uma atitude, uma vez que o cansaço da alma pode levar a consequências catastróficas. A mesma água fervendo é usada para amolecer a batata, mas também endurece o ovo. Quando o ser humano está submerso nas águas ferventes da vida, que são suas tribulações, ou será amolecido da dureza de seu coração para buscar mais intensamente o ETERNO, cujo resultado será o crescimento espiritual, ou endurecerá de vez o coração. Nesta última hipótese, várias situações podem ocorrer: a murmuração, o desespero, a depressão, a angústia, a rebelião contra HaShem, a apostasia, o abandono da fé etc.

Os milagres nascem de um profundo processo de dor. Antes de acontecer o grande milagre da ressurreição de Yeshua, ele teve que passar pelo “Gat-Shemanim” (Prensa de Óleo), conhecido em português como Getsêmane. A oliva precisa passar pela prensa para gerar o seu mais precioso óleo. Da mesma maneira, o povo de HaShem, que é chamado de oliveira (Rm 11), também passa pelas prensas da existência humana, por processos de dor que têm por objetivo produzir o óleo mais puro de nosso aperfeiçoamento moral e espiritual.

Todos nós gostamos de ler os inúmeros milagres que HaShem fez para tirar o povo de Israel do Egito. Contudo, antes dos milagres e do êxodo, quão grande foi o sofrimento do povo escravizado! Quantas pessoas sofreram intensamente, perderam seus entes queridos, foram açoitadas e viveram uma vida de extremo sofrimento? Quantas pessoas no Egito morreram sem ver a libertação e os milagres?

Há muitos israelitas que sofreram no Egito, clamaram ao ETERNO e morreram sem obter uma resposta para a oração. Será que quando HaShem não responde deverá o homem se desesperar e rebelar-se?

Ainda que não recebêssemos algo de HaShem em vida, nós temos uma esperança melhor. Nossa recompensa não está neste mundo, não adianta tentar receber agora algo que está reservado para o Mundo Vindouro, lição que foi aprendida pelo Rabino Akiva na história do pé de mesa de ouro.

Todos os nossos problemas são passageiros diante da eternidade. De fato, tudo aquilo que nos angustia aqui na terra e tudo que nos leva ao sofrimento irá desaparecer. Nada disto será levado ao Mundo Vindouro. Então, por que damos tanta importância a problemas que desaparecerão daqui a pouco como o vapor? 

A dor nos reposiciona dentro de um evangelho verdadeiro, em que confiamos mesmo sem entender nada.

O problema do homem é que ele enxerga os problemas deste mundo como se este mundo fosse o objetivo derradeiro de sua existência. Se o homem enxergasse as coisas espiritualmente, diria para si mesmo: por que isto está me perturbando tanto, se logo deixará de existir? Então, por que vou me entristecer com algo que eu sei que acabará no tempo de HaShem? Nossa carnalidade é tão grande que faz com que foquemos nos problemas, e não em HaShem. 

Temos que aprender a descansar. O descanso na alma é justamente a capacidade de entregarmos a condução de nossa vida a HaShem e não nos abalarmos com as circunstâncias negativas, até porque estas irão desaparecer. Ou sumirão durante nossa vida e no tempo que HaShem estabeleceu, ou simplesmente não mais nos importunarão com a nossa morte física. 

Glorifique HaShem no meio da dor, não pelo que você está vendo, mas porque você confia Nele.

O ser humano fica abatido quando a sua oração não é respondida. O desespero acontece quando HaShem diz “não” ou quando não responde imediatamente à nossa petição. Ou seja, somos crianças mimadas que apenas queremos o “sim” e exatamente na hora que desejamos. 

Temos sempre uma interrogação dentro da gente quando estamos na luta. Sempre perguntamos: Por que isso está acontecendo? Como Deus permitiu isso? Por que eu estou passando por isso?

Nunca perguntamos por que fomos abençoados. Por que HaShem me permitiu acordar hoje? Por que HaShem me permitiu pagar essa conta? Porque o meu coração está batendo com uma pulsação normal? 

Ou seja, não questionamos as bençãos, mas questionamos HaShem apenas pelas dificuldades. Os questionamentos surgem porque as pessoas não confiam verdadeiramente em HaShem.

Todas as vezes que questionamos a HaShem é porque Ele não agiu conforme nós esperávamos.

Keyfá, Shaul, Yochanan passaram por situações horríveis e não perguntaram o porquê, mas adoravam a HaShem, como Paulo e Silas na cadeia. Eles entenderam que as suas vidas não estavam no período que passavam aqui na terra.

O nosso questionamento ocorre porque estamos focando mais nos 100 anos que talvez passemos por aqui, e não na eternidade.

Até mesmo homens espirituais muitas vezes ficam com a alma abatida, como lemos em Sl 42:12 (11):

“Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Elohim, pois ainda louvarei as salvações da minha face, e o meu Elohim”.

Com a alma abatida, o homem deseja resolver a situação que o aflige, porém, às vezes a questão não é solucionada rapidamente. Então, geralmente ocorre uma ansiedade e as pessoas reagem de várias maneiras: uns perdem o sono, outros ficam doentes (pressão, enxaqueca, desconforto), outros comem além do normal, já outros ficam sem comer, e tudo isso só passa quando a pessoa consegue realizar o seu desejo. Mas eis uma importante pergunta a se fazer: Será que a nossa vontade é a vontade de HaShem?

Portanto, o descanso na alma ocorrerá quando mudarmos o foco. Quando pararmos de olhar para os problemas, quando desistirmos de realizar o nosso desejo a qualquer custo, pois este pode ser contrário à vontade de HaShem. Nosso único foco tem que ser estar perto de HaShem.  Como tem sido seu desejo por HaShem? Você tem ficado ansioso para ouvir Sua voz? Tem feito de tudo para estar perto Dele? Que sua ansiedade seja estar perto de HaShem e Ele cuidará de toda a sua vida, pois HaShem “nos deu tudo ricamente para nosso descanso” (1 Tm 6:17, Peshitta).

Frase da semana: Eu estou acima do que é bom e do que é mau.

Prática: Quando as suas emoções flamejarem, lembre-se que os resultados finais de fatos da vida geralmente não podem ser previstos ou controlados. Então, acalme a sua mente e o seu coração, entregando-os a HaShem em oração.

Anotações (diário): Anote suas observações pessoais acerca da prática deste ensinamento.

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