Será que pecaremos na Era Messiânica? Como ficará a questão do livre arbítrio na Era Messiânica?

Ramban (Rabi Moshé ben Nachman), que viveu entre 1194 a 1270 D.C, ao escrever monumental obra sobre a Torá, estabelece uma ligação entre a “Nova Aliança” prevista na Torá e os “dias do Messias”:

“E YHWH teu Elohim circuncidará o teu coração (Dt 30:6). É isso que os Rabinos dizem: ‘Se alguém vem a purificar-se, eles o ajudarão’ [do] alto. O verso garante que você vai voltar a Ele de todo o coração e Ele vai te ajudar.

Este assunto seguinte é muito aparente das Escrituras: desde o tempo da Criação, o homem teve o poder de fazer o que quisesse, para ser justo ou perverso. Isto [concessão de livre arbítrio] se aplica igualmente ao período de Torá, para que as pessoas possam receber o mérito pela escolha do bem e punição por preferir o mal. Mas, nos dias do Mashiach, a escolha do bem será natural, o coração não desejará o impróprio e não terá qualquer desejo por isto. Esta é a ‘circuncisão’ mencionada aqui, para a luxúria e o desejo que são o ‘prepúcio’ do coração, e a circuncisão do coração significa não cobiçar ou desejar o mal”.

 

Ou seja, nos dias do Mashiach (Era Messiânica), o ser humano terá o coração circuncidado e somente fará o bem, e não o mal. Isto não anula o seu livre arbítrio por duas razões: 1) hoje o ser humano escolhe se deseja servir ao ETERNO ou não; 2) na Era Messiânica, os salvos (aqueles que previamente serviram ao ETERNO) somente farão o bem, isto é, terão o livre arbítrio, mas este estará limitado a escolhas tão somente para fazer o que é correto, visto que não existirá mais a inclinação para o mal.

Para Ramban, a Nova Aliança se consumará nos dias do Messias (Era Messiânica), que restaurará o homem ao estado antes da queda:

“Naquele momento, o homem voltará ao que era antes do pecado de Adão, quando por sua natureza ele fazia o que era correto, e não havia desejos conflitantes em sua vontade, como já expliquei no Sefer Bereshit [Livro de Gênesis]”.

 

E prossegue Ramban ao dissertar sobre a Nova Aliança descrita pelo profeta Yirmeyahu/Jeremias (leia Jr 31:31-34):

“Esta é uma referência à anulação do instinto do mal e ao natural desempenho do coração para sua própria função. Portanto, Yirmeyahu [Jeremias] disse ainda: e eu serei o seu Elohim, e eles serão o meu povo, e eles não devem ensinar mais cada um a seu próximo, e cada um a seu irmão, dizendo: ‘Conheça YHWH’, porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior.

Agora, sabe-se que a inclinação do coração do homem é má desde a sua juventude e é necessário instruí-lo, mas, nesse momento, não será necessário instruí-lo [para evitar o mal], porque seu instinto para o mal será completamente abolido. E é por isso que Yechezk’el [Ezequiel] declara: ‘um coração novo eu também vou lhe dar, e um novo espírito porei dentro de vocês, e farei que andem nos meus estatutos’ (Yechezk’el/Ezequiel 36:26)”.

 “O novo coração alude à natureza do homem, e o [novo] espírito ao desejo e à vontade. É isso que nossos rabinos disseram: ‘E se aproximam os anos quando você irá dizer: não tenho prazer neles; estes são os dias do Messias, pois não haverá lugar nem para o mérito nem para a culpa’, pois nos dias do Messias não haverá [mal] desejo no homem, mas ele vai naturalmente executar as ações adequadas e, portanto, não haverá mérito nem culpa neles, pois mérito e culpa são dependentes de desejo”.

  

Já que o homem não mais pecará quando chegar o reinado do Mashiach na terra (Era Messiânica), Ramban considera a Nova Aliança melhor do que a Primeira, e é neste contexto que dever ser lido e interpretado o texto de Ivrim/Hebreus 8:7-13. 

Na Aliança do Sinai, há a previsão de bençãos aos obedientes e maldições aos desobedientes.

Na Nova Aliança que será concretizada definitivamente na Era Messiânica, somente há bênçãos e não maldições, já que não existirá mais o pecado. Todos nós conseguiremos cumprir naturalmente a Torá; somente conseguiremos fazer o bem, e não o mal. Por tal razão, a Nova Aliança é superior à aliança do Sinai.

Vale destacar que Yeshua já iniciou os efeitos da Nova Aliança, mas esta somente produzirá todos os seus efeitos na Era Messiânica.

Logo, de acordo com os conceitos apresentados, respondemos às perguntas formuladas da seguinte forma: 

Será que pecaremos na Era Messiânica? Resposta: Não. Os salvos não pecarão.

Como ficará a questão do livre arbítrio na Era Messiânica? Respostas: Os salvos terão livre arbítrio, mas este será usado apenas para fazer o bem.

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